Manoel de Barros, o poeta pantaneiro!



"As coisas que não existem são as mais bonitas".


"Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toda de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois lagartos
f) Como pegar a voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro
etc
etc
etc
Desaprender oito horas por dia ensina princípios."



"As coisas que não tem nome são mas mais pronunciadas pelas crianças".



"As coisas não querem ser vistas por pessoas razoáveis:
Elas desejam ser olhadas de azul -
Que nem uma criança olha você de ave."


"O rio que fazia uma volta atrás da nossa casa era imagem de um vidro mole que fazia volta atrás da casa.`
Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia volta atrás da casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem".

Extraído de "O livro das Ignorãnças, 1998.

Comentários

  1. .

    Sou simplesmente alucinada pelo Manoel de Barros.
    O poeta das insignificâncias.

    Se não leu, te indico: 'Livro sobre nada'

    É MARAVILHOSO!!!!!

    Deixo beijos e sorrisos

    .
    .

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