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Não penso que a vida seja fácil de ser vivida.
Também não acho que seja difícil.

Tudo depende da maneira que enfrentamos e que levamos nossos dias.

Eu tento levar a vida com esperança, olhar firme, passos decididos...

Sei para onde quero ir e onde quero chegar...

Sei que a estrada é longa... que tem pedras... que machuca os pés...

Que o sol é quente... que as vezes chove temporal...

Mas sei também que no final do caminho,
tem uma grama verde e uma arvore com sombra refrescante me esperando...

E ao lado dela, estará você!

Para que receber num abraço carinhoso de saudade..."

Meu canto...

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E ela disse:

"Hoje meu canto é triste...
hoje meu canto é frio!
Hoje meu canto está incompleto... vazio...

Mas meu canto não será sempre assim
Branco
Vazio
Incompleto
Triste
Frio...

Em breve, eu sinto que em breve,
meu canto será colorido
Aconchegante
Cheio de almofadas macias
Com cheiro de novo
Com o gosto doce do carinho...

Não há mal que dure para sempre!
Não há tempestade que não passe!
Tem a escuridão sim, mas depois virá a luz!
Tem noite fria, mas depois virá o dia de sol!
Tem dor,muita dor, decepção, mas depois virá o riso e a alegria!"

E, esperançosa, ela repetia para si própria:

"Meus dias de dor estão passando,
Minhas noites frias estão ficando para traz.
Eu creio que este caminho escuro está chegando ao fim!
E haverá sol, vento suave, brisa fresca da manhã,
canto de pássaros, arvore frondosa, grama verdinha e muitas flores!
Abraço carinhoso, sorriso amigo, olhar de paz!
Eu creio! eu creio!"

E cheia de esperanças, ela fechou os olhos e sorriu...
E adorm…

Uma caixinha, por favor...

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E ela, entre lágrimas, suplicou: "Por favor, alguém me arruma uma caixinha? Por favor...Preciso guardar minha dor..."

Ela não conseguia dormir. Seu coração doía muito... A dor cortava sua alma... Dor de tristeza, dor de saudade, dor das lembranças, dor da decepção, dor da frustração, da falta, da dificuldade em desapegar... Era muita dor... e a dor sangrava dentro do seu peito.

"Por favor, me arruma uma caixinha? Preciso guardar a minha dor!"

Nem uma resposta. Silêncio total! Só o palpitar de seu coração...

Pergunto: uma dor pode ser semente? Uma dor pode organizar letras? Uma dor pode se transformar em palavras, num texto?

E disse a ela: "Tente transformar sua dor em palavras... quem sabe assim ela se dilui..."

Sabe, não acredito que os encontros na nossa vida só sejam para sofrimento... Sempre acreditei que o amor supera tudo... Não supera? Sempre acreditei que, com um pouco de boa vontade, as pessoas conseguem se entender. Sempre acreditei que no final…

Um olhar através das sombras...

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Assim foi o escrito que ela escreveu e que eu, por acaso, encontrei:

"Nunca gostei das sombras. Sempre fui da luz, do dia, do sol,do riso aberto, do abraço fraterno.

Nunca gostei de nada pela metade: nem meio sorriso, meias palavras, frases incompletas, filmes inacabados, histórias sem fim.

Nunca gostei de me sentir pressionada, dividida, andando em uma linha ou a beira de um abismo.

Aventuras nunca foram meu forte: sempre gostei das coisas seguras, da terra, do chão, dos limites, da segurança, das pontes, da união, do circulo - que torna tudo mais firme e seguro.

Ouvi a pouco na TV, por uma pessoa simples que o "vicio afetivo é o mais difícil de se vencer". Na hora não entendi direito, mas a partir dessa fala, senti vontade de escrever.

Sinto que estou longe de mim... distante daquilo que é a minha essência de pessoa... limitada, presa, como se vivesse apertada dentro de um vidro. Vidro escuro. Que não me permite ver a luz ao redor.

Sinto falta da luz... que vem do sor…

Quis um dia ser jardineira...

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Como ave, retorno ao meu ninho.
E sinto que continua macio...
Desço devagar... com calma... com zêlo.
Continua macio...
No meu retorno, fecho os olhos e penso nos versos de Cora Coralina:


Coração é terra que ninguém vê

Quis ser um dia, jardineira de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos e nos espinhos me feri.
Quis ser um dia, jardineira de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata nada criei.
Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu na terra dura
da ingratidão
Coração é terra que ninguém vê - diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho - teu coração.
Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...


Cora Coralina
(1889-1985)

Mais sobre Cora Coralina em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina


Há muito tempo não escrevo... Mas sinto saudades do tempo que escrevia todos os dias...
Foram tempos de esperança, sei lá. De luta, de vontade de construir uma vida diferente. Passou.

Hoje uma melancolia enche minha alma.
Tropecei, sei lá! Me machuquei... estou ferida.
Dóiiiii muito... Doi mesmo!!!

A imagem da solidão é com um dia branco, sem cor... Ou uma noite escura, sem luar.

Luz? Onde estará???

Cores? Cadê minha caixa de pinturas???

Final de dia... Dia sem cor...

As flores que perfumam a noite...

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A noite é de luar
o jardim está silencioso... tudo adormece preguiçosamente!

Apenas as flores da noite exalam seu perfume.
Suas pétalas se abriram e o seu perfume toma conta de tudo.

Gosto do silêncio da noite.
Gosto muito...

Da quietude, das estrelas, da cor das folhas das plantas...

Hora de deitar na rede... esticar o corpo... sonhar!

Acreditar que tudo vai passar,
que as coisas se renovam
assim como as pessoas...