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Manoel de Barros, o poeta pantaneiro II

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"Deus disse: Vou ajeitar a você um dom: Vou pertencer você a uma árvore. E pertenceu-me. Escuto o perfume dos rios. Sei que a voz das águas tem sotaque azul. Sei botar cílios nos silêncios. Para encontrar o azul eu uso pássaros. Só não desejo cair em sensatez. Não quero a boa razão das coisas. Quero o feitiço das palavras." "A maior riqueza de um homem é a sua incompletude. Nesse ponto eu sou abastado. Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito. Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão as 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva, etc. Perdoai. Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas."

Recordar é viver!!!

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É....têm coisas que a gente não esquece! Há muitos anos atrás, no dia 04 de dezembro de 1971, Mauri César, um colega de Escola, escreveu um texto no meu caderno de recordações. Esse tipo de caderno (para quem se lembra) circulava entre os colegas e nele mensagens de amizade, de despedida, de carinho eram escritas. A mensagem dele, foi um teto longo e original, que foi carinhosamente guardado por mim por todos esses anos. Vou transcrevê-la abaixo, conforme foi escrita. Não tive oportunidade de lhe perguntar quem era o autor. Hoje, ainda lembro da ansiedade que senti ao ler essas páginas e o impacto que elas trouxeram para mim. N este mesmo dia, a minha família mudou-se para outra cidade e perdi o contato com ele. Nunca mais nos encontramos. Esse post é em sua homenagem, Mauri, meu amigo da 4a. série B, do então Colégio Estadual Campograndense! "OLÁ ISABEL! Benvinda ao mundo! Há um momento junto ao seu berço eu estava pensando: se Isabel pudesse me compreender eu lhe falaria sobre a...

Manoel de Barros, o poeta pantaneiro!

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"As coisas que não existem são as mais bonitas". "Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber: a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos d) Se o homem que toda de tarde sua existência num fagote, tem salvação e) Que um rio que flui entre dois jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre dois lagartos f) Como pegar a voz de um peixe g) Qual o lado da noite que umedece primeiro etc etc etc Desaprender oito horas por dia ensina princípios." "As coisas que não tem nome são mas mais pronunciadas pelas crianças". "As coisas não querem ser vistas por pessoas razoáveis: Elas desejam ser olhadas de azul - Que nem uma criança olha você de ave." "O rio que fazia uma volta atrás da nossa casa era imagem de um vidro mole que fazia volta atrás da casa.` Passou um homem depois e disse: Essa volta que o ...

Dias tensos... Dias densos...

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Não gosto de falar de coisas tristes, não gosto. Sempre busco olhar para ao positivo que todas as situações (por mais dificeis que sejam) nos oferecem... Mas, as vezes, fica dificil encarar a escuridão, o frio, a solidão... Mesmo que a luz da esperança esteja a nossa frente,não conseguimos ver o que nos espera a diante. Então, a vontade maior é de ficar embaixo de lençóis, deixar o tempo passar e esperar... Esperar não se sabe exatamente pelo que: talvez por dias melhores, talvez noites com estrelas, talvez suaves melodias, talvez por doces toques de carinho... Gostaria de dormir e não acordar sozinha... gostaria de acordar com um carinho, um gesto de ternura, um olhar afetuoso... Gostaria de sentir mãos acariciando suavemente meus cabelos... Não consigo focar meu pensamento na luz de esperança que tenta manter-se acesa a minha frente... As lágrimas me impedem de enxergá-la e sob uma nuvem de lágrimas, vejo apenas a escuridão e sinto frio... Quero dormir, preciso dormir... enroscar-me ...
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"Somos donos dos nossos atos, mas não somos donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos. Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos ... Atos são pássaros engaiolados; sentimentos são pássaros em voo." Autor: Mario Quintana

Sou uma pergunta

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"Quem fez a primeira pergunta? Quem fez o mundo? Se foi Deus, quem fez Deus? Por que dois e dois são quatro? Quem disse a primeira palavra? Quem chorou pela primeira vez? Por que o Sol é quente? Por que a Lua é fria? Por que o pulmão respira? Por que se morre? Por que se ama? Por que se odeia? Quem fez a primeira cadeira? Por que se lava roupa? Por que se tem seios? Por que se tem leite? Por que há o som? Por que há o silêncio? Por que há o tempo? Por que há o espaço? Por que há o infinito? Por que eu existo? Por que você existe? Por que há o esperma? Por que há o óvulo? Por que a pantera tem olhos? Por que há o erro? Por que se lê? Por que há a raiz quadrada? Por que há flores? Por que há o elemento terra? Por que há a gente quer dormir? Por que acendi o cigarro? Por que há o elemento fogo? Por que há o rio? Por que há a gravidade? Por que e quem inventou os óculos? Por que há doenças? Por que há saúde? Por que faço perguntas? Por que não há respostas? Por que quem me lê está per...

Não conte pra ninguém

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"Eu sou a velha mais bonita de Goiás. Namoro a lua. Namoro as estrelas. Me dou bem com o Rio Vermelho. Tenho segredos como os morros que não é de advinhá. Sou do beco do Mingu sou do larguinho do Rintintim. Tenho um amor que me espera na rua da Machorra, outro no Campo da Forca. Gosto dessa rua desde o tempo do bioco e do batuque. Já andei no Chupa Osso. Saí lá no Zé Mole. Procuro enterro de ouro. Vou subir o Canta Galo com dez roteiros na mão. Se você quiser, moço, vem comigo: Vamos caçar esse ouro, vamos fazer água... loucos no Poço da Carioca, sair debaixo das pontes, dar que falar às bocas de Goiás. Já bebi água de rio na concha de minha mão. Fui velha quando era moça. Tenho a idade de meus versos. Acho que assim fica bem. Sou velha namoradeira, lancei a rede na lua, ando catando estrelas." Poesia de Cora Coralina